Seja mais saudável: plante uma horta
em casa
A ex-ministra do Meio
Ambiente Marina Silva já dá como certa a reversão do quadro de queda histórica
no ritmo de desmatamento na Amazônia. A respeito dos dados do Imazon, que detectou por
satélite um aumento de 400% no último mês -em relação ao mesmo período em 2011
– disse Marina no Twitter: “Cai por terra uma década na luta contra destruição
da Amazônia. Futuras gerações sofrerão as consequências do retrocesso”.
De fato, os
ingredientes para a retomada estão todos aí. A expectativa de uma nova crise
dos alimentos em 2013, devido aos baixos estoques mundiais de grãos, cria
condições para a valorização de algumas commodities agrícolas que já acumulam
expressiva alta neste ano.
Acrescente o espalhamento
de grandes obras de infra-estrutura na Amazônia sem o devido planejamento
territorial, uma combinação que resulta em floresta abaixo desde que o mundo é
mundo. Na verdade, nem é preciso que os canteiros entrem em ação. Sabe-se que a
mera expectativa de grandes empreendimentos já é suficiente gerar uma corrida
pela terra. Só no campo das hidrelétricas, são 23 novos projetos destinados à
região amazônica.
A novela do Código Florestal esvaziou a consistência de ações de comando
e controle às quais o próprio Governo Federal creditava a queda contínua dos
índices desde 2005. Multas e restrições ambientais ao crédito agrícola estão no
limbo. O Ibama está é
sucateado e perdeu bala na agulha para o estados que não compartilham
informações entre si, o que faz com que o tráfico de madeira fique mais difícil
de fiscalizar.
Eu incluiria ainda a
lenda dos cerca de 15 milhões de hectares já desmatados, porém abandonados ou
subutilizados. É um clichê repetido por oficiais de governo e ambientalistas há
anos: “não precisamos mais derrubar nenhuma árvore, só aproveitar as terras que
já foram convertidas”. Até hoje não existe um plano para isso.
Entretanto, o fato de
que ainda estamos lidando com as menores taxas históricas torna o prognóstico
um tanto imprevisível. Os vetores de desmatamento são antigos e manjados, mas o
balanço da destruição da Amazônia hoje é inédito. É difícil imaginar que uma
tendência consistente de queda venha a explodir meteoricamente de um ano para o
outro. Se houver alta, porém modesta, o governo botará panos quentes e dirá que
não é caso para alarde. E é exatamente nesse tipo de postura que mora perigo.
Eu espero
sinceramente que o compromisso brasileiro de reduzir emissões de gases de
efeito estufa tenha elevado a barra do jogo. Se o desmatamento na Amazônia é
alto ou baixo é uma questão relativa. Os 18 mil quilômetros quadrados
derrubados em 2005 já eram considerados avanço. Em 2012, algo como 8 mil
deveria ser intolerável.
Foto:
Haroldo Kennedy
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